Baader-Meinhof
Desde a minha adolescência – algo entre o início dos anos ‘90
e a virada do milênio – essa palavra ficou popular no meu vocabulário. Quem não
se lembra do disco de 1985 da Legião Urbana ou de Música p/ Acampamentos
(1992)? Eu, dentre diversos amigos da escola, tinha o costume de tocar
violão/guitarra e esse era um dos hits que reproduzíamos fielmente pelas garagens,
quermesses e bares da cidade onde crescemos nos subúrbios da capital paulista.
Acontece que às vezes a gente não se apega ao real significado
de algumas palavras e geralmente elas fazem muito sentido em vários aspectos do
que estamos vivenciando. Eu confesso que ignorei por muitos anos a história por
trás disso e resolvi compartilhar aqui algumas descobertas.
Andreas
Baader (06/05/1943 – 18/10/1977) era o fundador/líder do grupo
terrorista alemão Facção do Exército Vermelho (RAF). Ele tocou o terror
na Alemanha chamando a atenção global liderando protestos contra o capitalismo,
pobreza, ascensão nuclear e a ocupação dos EUA em seu país.
Ulrike
Meinhof (07/10/1934 – 09/05/1976) era uma jornalista intelectual muito
influente na Alemanha, que tinha afinidade com as atividades do grupo RAF, se
tornando uma das principais defensoras do movimento.
O final deles, como muitos podem imaginar, é triste: execuções
em suas prisões de segurança máxima, onde o Estado Alemão não reconhece como
tal.
Os heroísmos e genocídios por trás da história de cada um
deles e seus fiéis comparsas, eu prefiro deixar por conta da curiosidade do
leitor, até porque este é um assunto abrangente nos livros, e que tem muito
mais embasamento por lá do que em meu texto. Aliás, é um assunto muito
interessante, recomendo a quem não conhece, procurar ler sobre.
Pulamos para 1994, em algum fórum de discussão na internet,
onde um usuário denominado Terry Mullen posta um comentário dizendo que ouviu
falar em Baader-Meinhof pela primeira vez, e desde então não parou mais de
ouvir falar nesse assunto. Aqui já estamos falando de um fenômeno da Psicologia
Cognitiva, também conhecido como Ilusão
de Frequência, onde um indivíduo tem a percepção de que algo está ocorrendo
com mais frequência do que realmente está. Esse foi um apelido bem coerente porque
após o comentário de Terry Mullen, diversas outras pessoas compartilharam do
mesmo sentimento e o termo se tornou popular. Daí podemos concluir que o termo “Fenômeno
Baader-Meinhof” não tem uma relação direta com a facção RAF.
Por fim, presumo que entendo melhor o significado por trás de Baader-Meinhof Blues relembrando a letra com este background em mente. Não que eu não entenderia naquela época, mas faltou um pouco mais de curiosidade.
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